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Location: Lisboa, Portugal

Tuesday, October 31, 2006

"O dia amanheceu cinzento"

Sem sair deste lugarejo, temos a sensação de que durante a noite fomos transportados para um distante mundo, longe do sol que ontem nos abraçou.

Ora, se o tempo pode mudar assim, como haveríamos nós de querer, ter um sentir linear?!

Às vezes penso que os deuses se comportam como verdadeiros cientistas. Olham cá para baixo e decidem ver como reagimos nós, meras criaturas, perante dias solarengos seguidos de torpedos de nuvens.

Aposto que neste momento se discute, em mesa redonda, os resultados de tal experiência. Recolhem-se imagens de muitos despertares. Observam pensamentos e divertem-se a analisar as mudanças de comportamentos.

Que podemos fazer nós? Agir como verdadeiros súbditos, aceitando tais demandas, ou devemos resistir, para contrariar os efeitos esperados?

De repente, imagino, que um desses deuses põe na mesa um novo dado: se em dias solarengos há mortais que se comportam como se à chuva andassem, porque não haverá quem em dias cinzentos, sinta o prazer de viver?!

Reagem, então, os deuses da ala mais céptica: para que isso não aconteça, lancemos um manto de nevoeiro. Tudo ficará encoberto e não haverá quem resista!

Pois é....estou certa de que tal feitiço resultará em alguns de nós. Tudo à volta se esconde e fica a sensação que não há “mais além”. No entanto, outros, aqueles que não aceitam ser cobaias, olharão para os céus e dirão: não será um cenário diferente que bastará para nos fazer desistir!

O caminho pode estar escondido, mas não nos foi roubado!




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