"Bloco de notas - uma história"
O dia tinha começado como muitos outros. Levantar para desligar os despertadores, tomar banho, enfim uma panóplia de actividades que faziam parte do ritual matinal.
Entrou no elevador e aproveitou aqueles breves segundos para ligar o telemóvel.
Café tomado à pressa, entrou no carro, onde só depois de pôr a sua música preferida se fez ao caminho.
Apesar de tudo indicar que este dia seria mais um, igual a tantos outros, havia algo, uma espécie de voz interior que lhe parecia querer dizer que não era bem verdade o que estava a sentir. Ainda pensou se não seria aquilo a que se chama de intuição feminina, mas não deu muita importância.
Mais tarde, quando se preparava para ir almoçar voltou a “ouvir” a tal voz interior. Sentiu mesmo uma espécie de aperto no coração, foi forte, muito forte, mas não deu importância. Coisas de stress, pensou, desta vez.
Estava sem fome e dado que se vivia um verdadeiro verão de S. Martinho, decidiu caminhar. Comprou uma sandes e um sumo, no bar em frente à estação e sem pressas foi-se afastando da confusão do centro da cidade.
Resolveu aproximar-se da beira-rio e por aí caminhar. Havia muita gente que tinha, aparentemente, resolvido, nesse dia, fugir do centro e procurar refugio junto a essa bela paisagem.
Mais à frente avistou um banco onde se sentou para desfrutar do seu farnel. Afinal, tal caminhada tinha-lhe aberto o apetite.
Ao fundo ouvia-se música, embora não conseguisse perceber de onde vinha tal som. Pouco importava, também. Tudo lhe estava a dar prazer naquele momento.
Findo o repasto puxou dum cigarro e permitiu-se fechar os olhos, para desse modo melhor sentir o sol que invadia os céus.
De repente sentiu uma enorme vontade de escrever. Pegou no seu bloco de notas (companheiro fiel que a seguia para todos os lados) e começou a escrita.
De início não fazia a menor ideia do que iria escrever, pensou até que não passaria de algumas “palavras soltas”....
Página após página, sem dar conta, tinha já preenchido muitas folhas, quando de repente toca o telemóvel. Era a realidade a chamá-la. Do outro lado alguém pedia para responder a um inquérito. Acedeu, mas um pouco contrariada, deixando, porém, bem claro que dispunha de pouco tempo.
Findo o telefonema, voltou a pegar no bloco de notas. Resolveu ler a escrita que momentos antes havia realizado.
Foi com grande espanto que então percebeu. Tudo fazia sentido, não eram apenas “palavras soltas”.
As lágrimas começaram a correr-lhe na face e página após página assumiam maior força e frequência. Eram lágrimas que pesavam e doíam....
Tinha escrito uma história, uma história de amor. Não uma dessas histórias cor-de-rosa, mas antes uma história bem real, com paixão e mágoa.
Uma história com muitos personagens, demasiados, aliás....
Era uma história com um princípio inesperado, mas com muitos fins, pelo meio.
Era a sua história. Era sobre ela que tinha escrito, com toda a força do sentimento, de quem viveu aquilo que escreve.
Reparou que frequentemente tinha utilizado interrogações e reticências. Aliás, foi dessa forma que a história terminou, com muitas interrogações e reticências....
Fechou o bloco e foi de encontro à realidade, ao resto da jornada. Ainda lhe esperava um longo dia.
As lágrimas secaram, mas os olhos sentiam, ainda o seu peso!
Entrou no elevador e aproveitou aqueles breves segundos para ligar o telemóvel.
Café tomado à pressa, entrou no carro, onde só depois de pôr a sua música preferida se fez ao caminho.
Apesar de tudo indicar que este dia seria mais um, igual a tantos outros, havia algo, uma espécie de voz interior que lhe parecia querer dizer que não era bem verdade o que estava a sentir. Ainda pensou se não seria aquilo a que se chama de intuição feminina, mas não deu muita importância.
Mais tarde, quando se preparava para ir almoçar voltou a “ouvir” a tal voz interior. Sentiu mesmo uma espécie de aperto no coração, foi forte, muito forte, mas não deu importância. Coisas de stress, pensou, desta vez.
Estava sem fome e dado que se vivia um verdadeiro verão de S. Martinho, decidiu caminhar. Comprou uma sandes e um sumo, no bar em frente à estação e sem pressas foi-se afastando da confusão do centro da cidade.
Resolveu aproximar-se da beira-rio e por aí caminhar. Havia muita gente que tinha, aparentemente, resolvido, nesse dia, fugir do centro e procurar refugio junto a essa bela paisagem.
Mais à frente avistou um banco onde se sentou para desfrutar do seu farnel. Afinal, tal caminhada tinha-lhe aberto o apetite.
Ao fundo ouvia-se música, embora não conseguisse perceber de onde vinha tal som. Pouco importava, também. Tudo lhe estava a dar prazer naquele momento.
Findo o repasto puxou dum cigarro e permitiu-se fechar os olhos, para desse modo melhor sentir o sol que invadia os céus.
De repente sentiu uma enorme vontade de escrever. Pegou no seu bloco de notas (companheiro fiel que a seguia para todos os lados) e começou a escrita.
De início não fazia a menor ideia do que iria escrever, pensou até que não passaria de algumas “palavras soltas”....
Página após página, sem dar conta, tinha já preenchido muitas folhas, quando de repente toca o telemóvel. Era a realidade a chamá-la. Do outro lado alguém pedia para responder a um inquérito. Acedeu, mas um pouco contrariada, deixando, porém, bem claro que dispunha de pouco tempo.
Findo o telefonema, voltou a pegar no bloco de notas. Resolveu ler a escrita que momentos antes havia realizado.
Foi com grande espanto que então percebeu. Tudo fazia sentido, não eram apenas “palavras soltas”.
As lágrimas começaram a correr-lhe na face e página após página assumiam maior força e frequência. Eram lágrimas que pesavam e doíam....
Tinha escrito uma história, uma história de amor. Não uma dessas histórias cor-de-rosa, mas antes uma história bem real, com paixão e mágoa.
Uma história com muitos personagens, demasiados, aliás....
Era uma história com um princípio inesperado, mas com muitos fins, pelo meio.
Era a sua história. Era sobre ela que tinha escrito, com toda a força do sentimento, de quem viveu aquilo que escreve.
Reparou que frequentemente tinha utilizado interrogações e reticências. Aliás, foi dessa forma que a história terminou, com muitas interrogações e reticências....
Fechou o bloco e foi de encontro à realidade, ao resto da jornada. Ainda lhe esperava um longo dia.
As lágrimas secaram, mas os olhos sentiam, ainda o seu peso!


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