"Encontro inesperado"
Foi ao atravessar a rua que deu conta. Do outro lado estava quem há muito não via. Era inevitável o encontro.
Num milésimo de segundo houve tempo para relembrar tudo o que tinha em tempos sentido; as boas e as más recordações.
Quando os olhares se cruzaram apenas houve espaço para um sentimento: pena!
Julgo ser dos piores sentimentos que podemos ter por alguém. Ter pena não nos desgasta e confere ao objecto em causa um estatuto muito pequeno, muito insignificante.
Nada havia a fazer, nesse momento que lhe afastasse tal sentimento. Tinha ar de quem estava radiante e de bem com a vida, mas ela conseguia ver o seu “eu” mais profundo; aquele que se escondia por detrás de tanta aparente alegria.
Ficou a saber que a vida lhe tinha entregue muitos projectos, muitos objectivos tinham sido definidos, mas era tudo tão pobre de grandeza, tão pequeno, que até lhe deu vontade de rir....
O silêncio instalou-se....ele perguntou: “Tu que tens feito?” Não se dignou a responder. Teve pena dele. Aliás, pensou, como iria, pessoa tão pequena, entender o seu percurso?! Valeria a pena contar os caminhos visitados, as montanhas alcançadas, as gentes encontradas, as experiências vividas?!
Sorriu e apenas respondeu:”Nada de especial”.
Ele logo se apressou a dizer que ela era uma mulher de sorte, com a sua vida rotineira e calma, como sempre tinha tido.
Trocaram votos de boas festas, para a época que se adivinhava e voltando costas cada um seguiu o seu escolhido caminho.
Mais tarde, enquanto tomava um café (para fazer tempo até que o seu companheiro chegasse) lembrou-se do encontro que tinha tido nessa manhã.
Sorriu ao dar conta da infinita capacidade humana de nutrir tantos e tão diferentes sentimentos, por uma só pessoa.
Foi nesse estado que a encontrou o recém-chegado, o seu companheiro.
Contou-lhe o motivo de tal sorriso e dado que era pessoa conhecida de ambos, pô-lo a par da conversa tida.
Uma característica do seu companheiro, que por vezes a tirava do sério, era o hábito que tinha de explicar o porquê de tudo, mesmo das mais insignificantes coisas. Desta feita, porém, valeu a pena escutá-lo. É que, como quase sempre, ele tinha razão.
Entraram no carro e rumaram ao seu destino, embalados pela música preferida e trocando juras de amor, como sempre usavam fazer, desde o primeiro dia.
Num milésimo de segundo houve tempo para relembrar tudo o que tinha em tempos sentido; as boas e as más recordações.
Quando os olhares se cruzaram apenas houve espaço para um sentimento: pena!
Julgo ser dos piores sentimentos que podemos ter por alguém. Ter pena não nos desgasta e confere ao objecto em causa um estatuto muito pequeno, muito insignificante.
Nada havia a fazer, nesse momento que lhe afastasse tal sentimento. Tinha ar de quem estava radiante e de bem com a vida, mas ela conseguia ver o seu “eu” mais profundo; aquele que se escondia por detrás de tanta aparente alegria.
Ficou a saber que a vida lhe tinha entregue muitos projectos, muitos objectivos tinham sido definidos, mas era tudo tão pobre de grandeza, tão pequeno, que até lhe deu vontade de rir....
O silêncio instalou-se....ele perguntou: “Tu que tens feito?” Não se dignou a responder. Teve pena dele. Aliás, pensou, como iria, pessoa tão pequena, entender o seu percurso?! Valeria a pena contar os caminhos visitados, as montanhas alcançadas, as gentes encontradas, as experiências vividas?!
Sorriu e apenas respondeu:”Nada de especial”.
Ele logo se apressou a dizer que ela era uma mulher de sorte, com a sua vida rotineira e calma, como sempre tinha tido.
Trocaram votos de boas festas, para a época que se adivinhava e voltando costas cada um seguiu o seu escolhido caminho.
Mais tarde, enquanto tomava um café (para fazer tempo até que o seu companheiro chegasse) lembrou-se do encontro que tinha tido nessa manhã.
Sorriu ao dar conta da infinita capacidade humana de nutrir tantos e tão diferentes sentimentos, por uma só pessoa.
Foi nesse estado que a encontrou o recém-chegado, o seu companheiro.
Contou-lhe o motivo de tal sorriso e dado que era pessoa conhecida de ambos, pô-lo a par da conversa tida.
Uma característica do seu companheiro, que por vezes a tirava do sério, era o hábito que tinha de explicar o porquê de tudo, mesmo das mais insignificantes coisas. Desta feita, porém, valeu a pena escutá-lo. É que, como quase sempre, ele tinha razão.
Entraram no carro e rumaram ao seu destino, embalados pela música preferida e trocando juras de amor, como sempre usavam fazer, desde o primeiro dia.


1 Comments:
Já há algum tempo que não lia o teu blog. Tás farta de escrever....parabéns!
Este conto é real ou pura ficção?! É que um passarinho contou-me que há mouro novo na tua vida. É verdade?
Aproveito para te desejar um feliz Natal e excelentes entradas em 2007.
Beijos,
Leitor em falta, J.M.
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