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Thursday, December 14, 2006

"Soneto da separação"

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.

(Vinicius de Moraes)

1 Comments:

Anonymous Anonymous said...

A vida é feita destas coisas. O importante é sabermos dizer adeus sem amargura, até pq nunca se sabe se um dia voltaremos a onde já fomos felizes, não achas?!

8:10 PM, December 17, 2006  

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