Palavras Soltas

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Location: Lisboa, Portugal

Thursday, November 16, 2006

"O que se pode prometer"

Pode-se prometer acções, mas não sentimentos, pois estes são involuntários.

Quem promete a alguém amá-lo sempre, ou odiá-lo sempre, ou ser-lhe sempre fiel, promete algo que não está em seu poder; mas o que pode perfeitamente prometer são aquelas acções que, na verdade, são geralmente as consequências do amor, do ódio, da fidelidade, mas que também podem emanar de outras razões, pois a uma acção conduzem diversos caminhos e motivos.

A promessa de amar sempre alguém significa, portanto: enquanto eu te amar, manifestar-te-ei as acções do amor; se eu já não te amar, pois, não obstante, receberás para sempre de mim as mesmas acções, ainda que por outros motivos.

De modo que a aparência de que o amor estaria inalterado e continuaria sendo o mesmo permanece na cabeça das outras pessoas.

Promete-se, por conseguinte, a persistência da aparência do amor, quando, sem ilusão, se promete a alguém amor perpétuo.

Friedrich Nietzsche, in 'Humano, Demasiado Humano'

Wednesday, November 15, 2006

"No comments"

Tuesday, November 14, 2006

"Bloco de notas - uma história"

O dia tinha começado como muitos outros. Levantar para desligar os despertadores, tomar banho, enfim uma panóplia de actividades que faziam parte do ritual matinal.

Entrou no elevador e aproveitou aqueles breves segundos para ligar o telemóvel.

Café tomado à pressa, entrou no carro, onde só depois de pôr a sua música preferida se fez ao caminho.

Apesar de tudo indicar que este dia seria mais um, igual a tantos outros, havia algo, uma espécie de voz interior que lhe parecia querer dizer que não era bem verdade o que estava a sentir. Ainda pensou se não seria aquilo a que se chama de intuição feminina, mas não deu muita importância.

Mais tarde, quando se preparava para ir almoçar voltou a “ouvir” a tal voz interior. Sentiu mesmo uma espécie de aperto no coração, foi forte, muito forte, mas não deu importância. Coisas de stress, pensou, desta vez.

Estava sem fome e dado que se vivia um verdadeiro verão de S. Martinho, decidiu caminhar. Comprou uma sandes e um sumo, no bar em frente à estação e sem pressas foi-se afastando da confusão do centro da cidade.

Resolveu aproximar-se da beira-rio e por aí caminhar. Havia muita gente que tinha, aparentemente, resolvido, nesse dia, fugir do centro e procurar refugio junto a essa bela paisagem.

Mais à frente avistou um banco onde se sentou para desfrutar do seu farnel. Afinal, tal caminhada tinha-lhe aberto o apetite.

Ao fundo ouvia-se música, embora não conseguisse perceber de onde vinha tal som. Pouco importava, também. Tudo lhe estava a dar prazer naquele momento.

Findo o repasto puxou dum cigarro e permitiu-se fechar os olhos, para desse modo melhor sentir o sol que invadia os céus.

De repente sentiu uma enorme vontade de escrever. Pegou no seu bloco de notas (companheiro fiel que a seguia para todos os lados) e começou a escrita.
De início não fazia a menor ideia do que iria escrever, pensou até que não passaria de algumas “palavras soltas”....

Página após página, sem dar conta, tinha já preenchido muitas folhas, quando de repente toca o telemóvel. Era a realidade a chamá-la. Do outro lado alguém pedia para responder a um inquérito. Acedeu, mas um pouco contrariada, deixando, porém, bem claro que dispunha de pouco tempo.

Findo o telefonema, voltou a pegar no bloco de notas. Resolveu ler a escrita que momentos antes havia realizado.

Foi com grande espanto que então percebeu. Tudo fazia sentido, não eram apenas “palavras soltas”.

As lágrimas começaram a correr-lhe na face e página após página assumiam maior força e frequência. Eram lágrimas que pesavam e doíam....

Tinha escrito uma história, uma história de amor. Não uma dessas histórias cor-de-rosa, mas antes uma história bem real, com paixão e mágoa.
Uma história com muitos personagens, demasiados, aliás....

Era uma história com um princípio inesperado, mas com muitos fins, pelo meio.
Era a sua história. Era sobre ela que tinha escrito, com toda a força do sentimento, de quem viveu aquilo que escreve.

Reparou que frequentemente tinha utilizado interrogações e reticências. Aliás, foi dessa forma que a história terminou, com muitas interrogações e reticências....

Fechou o bloco e foi de encontro à realidade, ao resto da jornada. Ainda lhe esperava um longo dia.

As lágrimas secaram, mas os olhos sentiam, ainda o seu peso!

Monday, November 13, 2006

"Uma das melhores formas de acabar um fim-de-semana"

"Saudades"

Saudades! Sim... talvez... e porque não?...
Se o nosso sonho foi tão alto e forte
Que bem pensara vê-lo até à morte
Deslumbrar-me de luz o coração!

Esquecer! Para quê?... Ah! como é vão!
Que tudo isso, Amor, nos não importe.
Se ele deixou beleza que conforte
Deve-nos ser sagrado como pão!

Quantas vezes, Amor, já te esqueci,
Para mais doidamente me lembrar,
Mais doidamente me lembrar de ti!

E quem dera que fosse sempre assim:
Quanto menos quisesse recordar
Mais a saudade andasse presa a mim!

(Florbela Espanca)

Nota: É um poema bonito, mas quem vive assim, na minha opinião não vive, apenas recorda e cria amarras, ou então vive cada amor como se fosse o último. Quando é este o caso, então, façam o favor de amar e amar muito!

"Só sei que nada sei"

Já o dizia Aristóteles.
Reconheço que é preciso grande sabedoria para proferir tal afirmação!

Tenho pena de quem julga tudo saber....o que faz, o que diz e até o que pensa.
É certo que que agimos e pensamos, achando que temos certezas, porém, quem não já viu negado axiomas lançados e sentimentos jurados?!

Cada vez mais me conveço que não pudemos aspirar a dominar tudo aquilo que dizemos e sentimos. Melhor ainda, não devemos julgar como certas todas as nossas atitudes e todos os pensamentos que nos ocorrem.

Quantas vezes mais tarde agimos exactamente de forma oposta e somos levados a negar tudo o que sentiamos....
Por vezes por culpa própria, outras porque dados novos surgem e tudo se altera.

Daí que confesso "só sei que nada sei". Isto, mesmo que agora jure e tome como axiomas para a vida certos sentimentos.

No entanto, faço um alerta para mim própria: há atitudes que não só não irei negar, como também me orgulho de as tomar.

Tal como já por aqui escrevi, nada acontece por acaso.
Pergunto apenas: Poderemos aspirar a evitar certas atitudes (nossas claro)?

Julgo que quando há um verdadeiro conhecimento interior, talvez não possamos evita-las, mas acredito que o devemos....

É, sem dúvida, algo complicado.

"Só sei que nada sei" - ter consciência desta terrena realidade, ajuda-nos a compreender muito do que fazemos e sentimos. Pelo menos ajuda-nos a desculpar-nos por atitudes menos nobres e sentimentos sem sentido.

Quando pensamos que, por exemplo, para sempre algo mudou, vezes há, em que os deuses nos baralham e volta tudo a ser como dantes.

Ora se em relação às atitudes e aos sentimentos, ao que parece, pouco podemos fazer, algo há que sem dúvida está nas nossas mãos: escolher os objectos de tais atitudes e sentimentos, sejam "coisas" ou pessoas.

É certo que estes, também, nos podem enganar (óhhh se podem), mas está na nossa mão deixar que o voltem a fazer.

Pudemos até achar que foi um descuido do destino, mas sempre surge um dado que nos garante se foi erro ou não.

Quando estou na posse desse "dado" já não há nada a fazer. A verdade está lançada e tal objecto (ou pessoa) assume um papel deveras diferente, e para sempre!

Por vezes, para melhor, outras vezes, no entanto, descobrimos que era lixo o que nos rodeava e urge "limpar" o caminho.

Depois de algumas limpezas, agora, ainda sem certezas, o caminho está mais claro e os dias já se vivem com mais brilho!

Acreditem que uma pedra chega a "tapar" um lindo dia, por isso façam como eu, limpem sempre que possam o vosso caminho.

Acreditem que não há pedra que não esconda uma bela "flor"!

Friday, November 10, 2006

"Verão de S. Martinho"

Hoje acordei muito bem disposta.
A luz da manhã, com que este sol maravilhos nos presenteia, a par de um calor reconfortante, fez-me saltar da cama com vontade de viver ao máximo esta 6ª feira.

Caetano Veloso, com as suas letras e músicas invadiram-me a casa e embalaram o sorriso que não dava para esconder.

Humm, como é bom acordar assim!

Confesso, que o fim-de-semana que está à porta promete ser um daqueles....

Há que aproveitar este sol de Novembro, afinal estamos em pleno "verão de S. Martinho"!
Não pudemos virar costas à tradição e daí que o fim-de-semana será dedicado às nossas castanhas, regado com boa água pé (esta parte da tradição dispenso), tudo isto em boa companhia.

Lembro-me de quando era criança, por esta altura do ano, havia sempre festa na escola. Juntavam-se alunos e professores; cantavam-se músicas com quadras alusivas à época e comiam-se muitas castanhas (assadas e cozidas)!
Agora as canções são já outras, mas a tradição mantém-se.

Este dia, ainda é de trabalho, mas amanhã e depois, (como dizia a música) "viro costas a Lisboa e....

Bom fim-de-semana!

Thursday, November 09, 2006

"Beijo"

Há muitas razões que nos levam a querer dar um "beijo"!

A palavra em si, na minha opinião, não é muito apelativa, mas quando o recebemos, por vezes, sentimo-nos nas nuvens!

Há vários tipos de beijos: beijos de amizade, beijos de ternura, beijos de amor, enfim, uma lista sem fim.

Dependendo até da sociedade em que estamos inseridos, o beijo assume papeis diferentes.

Agora, é um facto inquestionável que certos beijos ficam para sempre na nossa memória....

Confesso que não sou muito dada a este tipo de "saudação". Há até quem diga, que tenho por hábito dar beijos para o ar, quando cumprimento as pessoas.

Muita tinta, ao longo dos tempos, se gastou a dissertar sobre este tema. Não pretendo fazer o mesmo, apenas quero trazer o assunto a este blog, porque sim, porque me apetece...

Confesso que sem razão aparente, me deu vontade de dar um beijo.
Um beijo daqueles que tenho na memória, que me fez sentir nas nuvens, que, enfim, me fez feliz e perceber que na vida tudo vale a pena!

Quando, às vezes pensamos que estamos a dar o "último beijo", o tempo troca-nos as voltas e o beijo repete-se uma, duas, n vezes....hummmm que bom que assim é!

Monday, November 06, 2006

"Pôr-do-sol"

A imagem podia estar melhor, mas fica o registo dum belo pôr-do-sol!

As nuvens começavam a ganhar terreno, mas os céus ainda estavam do nosso lado!

"Água transparente"

Ok, já sei que a água não tem côr, mas infelizmente
com tanta poluição que por aí anda, é de registar
quando encontramos uma praia assim!

"A bela caminhada"

Depois de um almoço, digno de tais paragens, nada como uma bela caminhada, cheia de aventuras e locais por descobrir!

"Sobremesa"

Hummmm.....que saudades já tinha destes almoços de Domingo!

As sobremesas partilhadas rematam um belo repasto, não acham?!

"café da manhã"

Digam lá se não é uma bela forma de começar um Domingo....

"Pilatos"


Há quem só lhe conheça os exercícios....
Nós fomos mais longe....

"Logo pela manhã"


Para aqueles que diziam que era um erro, sair de Lisboa, neste fim-de-semana, aqui fica uma fotografia, de Sábado, pela manhã!

Parecia que estavamos em pleno verão!

Friday, November 03, 2006

"Estou quase a caminho"

Pois é....finalmente!
O saco está mais que feito. Daqui a nada vou de fim-de-semana, como há algum tempo não usava ir.

Prometo aqui partilhar alguns dos momentos e quem sabe até registos fotográficos (caso os haja).

A viagem não é longa, mas ainda há muita estrada pelo caminho. Espero que S. Pedro seja amigo e acalme os temporais que por aí se adivinham!

Bom fim-de-semana!

"Não há coincidências"



Trata-se de uma questão sobre a qual muito haverá para dizer.

O que me leva a evocá-la prende-se com o facto de que recentemente pude constatar, na primeira pessoa, o quão verdade é.

Por vezes perguntamos porque vivemos certas situações, porque será que o nosso caminho nos leva a tal estrada. Em alguns casos o fado facilmente se entende, noutros, porém, passam-se décadas até que tudo seja claro.

Seja como for, não há quem saiba explicar como é possível alguém entrar nas nossas vidas, durante uma estação, ou várias, e de repente desaparecer, qual feitiço dos deuses.
Lamentamo-nos, interrogamo-nos, enfim, choramos.....

O tempo passa e lá nos vamos habituando à sua ausência. Chegamos mesmo a acreditar que foi para o melhor, que a sua missão na nossa vida estava cumprida.

Porém, quando se trata de alguém, realmente importante, um dia volta.....
Da mesma forma que desapareceu, volta à nossa vida.

Isto, quando se trata de alguém, cuja missão não terminou. Esse “alguém”, aí podemos constatar que não era uma pessoa para uma estação, ou duas, é alguém que fica, para toda a vida.

Aqueles que não voltam, podemos concluir, mais tarde, tiveram um papel secundário, no filme que vamos realizando ao longo desta estadia terrena.
São pessoas menores, por vezes até pedras no caminho, que nos fizeram desviar da verdadeira estrada que temos de seguir.

Agora importante é analisar o porquê do regresso e o porquê do momento encontrado para o fazer.

Acredito que não há coincidências, acredito que tudo acontece por alguma razão, mesmo as pedras no caminho e os desvios a que nos levam.....

Acredito mais ainda que quando há um regresso deve ser bem acolhido e não devemos cair na tentação do “porquê”.

Eu ontem vivi, senti e chorei.....
Chorei, não lágrimas de tristeza, mas antes de emoção.

É que vivi um desses momentos, sem que nada o fizesse prever. Tenho a sorte, também, de logo ter percebido o “porquê” do momento.

Por isso, nunca devemos desistir de quem nos é importante. O regresso pode até ser que assuma uma outra forma, um outro propósito, mas sem dúvida que nos devemos congratular por tal pessoa nos procurar.

Assim, podemos concluir que valeu a pena, que não foi mais uma pedra no caminho. Que tudo que foi vivido, dito e sentido, foi mesmo assim, não foi fingido!

Sei também que o nosso papel na vida dessas pessoas, continua e tem um propósito!

Estes são momentos únicos e sorte daqueles que os vivem. Hoje sinto-me uma pessoa feliz!